Proponho, com este texto, fazer uma
análise do plano de salvação de Jesus Cristo e do seu significado
prático na vida do convertido. Não duvido do plano. Creio nele e no Redentor.
Jesus veio “buscar e salvar o perdido”
(Lc 19. 10). Eu e você somos o alvo desse propósito de Deus por meio de Jesus,
o Verbo encarnado.
Entretanto, a mensagem pregada
pelos cristãos e líderes religiosos a respeito da redenção muitas vezes ultrapassa
o limite da realidade, impondo uma ideia equivocada e distorcida sobre o que
Jesus realiza na vida do pecador redimido.
A Bíblia apresenta Jesus como o Libertador,
que através do sacrifício na cruz salvou a humanidade da condenação permanente. Ele
tem poder para redimir todos, sem exceção, e dar a vida interminável (João 3.16). Eis
o significado da sua obra redentora, proporcionar libertação da condição
indesejável pela qual nossa alma estava condenada.
Quando nos alcança, o amor de Jesus propicia a salvação, mas não necessariamente promove mudança de
comportamento, como tem sido ensinado por muitos líderes cristãos. Esse sofisma tem lançado milhares de pessoas em um estado de frustração, de decepção e até mesmo de depressão ao constatarem que aceitando
Jesus, seu comportamento não foi imediatamente modificado.
Em Romanos 12.2 está registrado: “[...]mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento,...[...]”. O salvo por Jesus
recebeu a herança infinita, entretanto precisa da própria iniciativa para mudar
seu comportamento. O verbo no imperativo atesta este fato. Esse processo acontece de dentro para fora e não o inverso. Jesus
tem poder para mudar nossas atitudes, todavia essa decisão compete do
indivíduo.
Quando amamos alguém, somos
capazes de mudar muita coisa em razão desse amor. Mudamos de atitudes, de
pensamento, de palavras, de trabalho, de moradia. O amor tem essa força de
provocar profundas mudanças. Se amamos Jesus, também vamos mudar nossas
atitudes. Nos tornamos “novas criaturas”. Mudamos o rumo por causa de Jesus.
Em João 8.11, no episódio em que uma mulher é flagrada em adultério, Jesus encerra a questão dizendo-lhe “vai e não peques mais”, delegando,
dessa forma, a responsabilidade para ela. O Mestre não a protegeu contra o pecado,
não promoveu santificação instantânea e duradoura, pelo contrário, transferiu
para a criatura o dever de mudança de comportamento.
Então, leitor, não se desanime.
Não fique frustrado achando que, apesar de ter aceitado Jesus como seu Salvador, sua vida parece continuar do mesmo jeito. O Príncipe da Paz até pode fazer a
mudança que você precisa e gostaria, mas, na prática, ela deverá ser efetivada por
cada um de nós, em razão do amor que temos pelo Mestre. Essa é nossa tarefa diária,
contínua e intransferível.
“Prossiga para o alvo, a fim de ganhar o prêmio do chamado celestial de
Deus em Cristo Jesus” (fl 3.14).