Não é uma nova novela de Manoel Carlos ou Silvio de Abreu da Rede Globo. A paixão do brasileiro pelo automóvel ultrapassa os limites da imaginação e às vezes do bom senso.
Assim como a paternidade do avião é contestada por americanos, poderíamos questionar a nacionalidade do alemão Karl Benz, inventor do motor a combustão a quatro tempos a gasolina, dizendo que ele é tupiniquim. Nada mais justo, pois somos mais aficcionados por carro do que italianos pela Ferrari. O clube masculino então, ganha disparado neste quesito.
Somos capazes de memorizar o número da placa de veículos que já não são mais nossos e esquecemos o número de telefone de nossas mães. Preferimos cuidar do nosso carro em detrimento da nossa saúde. Enriquecemos o mecânico que executa serviços com pagamento somente à vista e exploramos o dentista com parcelamentos de pequenas obturações a perder de vista. A calibragem dos pneus é feita regular e semanalmente. O controle da pressão arterial só é feito quando estamos quase entre a vida e a morte. Deixamos o filho na escola e viramos as costas rapidamente em direção ao trabalho, mas estacionamos o auto e desembarcamos e antes de abandoná-lo damos uma olhadinha para trás para garantir que está tudo bem com ele.
Para nós, mais vale um carro cheiroso e polido do que uma roupa nova. O abastecimento de combustível só se faz em postos de muita, muita confiança enquanto o lanche da tarde pode ser em qualquer padaria da esquina. Trocar de carro é uma Via Crúcis com mais de quatorze estações. Do Pretório até o Calvário (se for financiamento) é uma Via Dolorosa que percorre concessionárias e mais concessionárias, nacionais e importadas até chegar ao modelo zero quilômetro ideal com o qual ficaremos felizes durante algumas semanas. E assim vamos, movidos pela paixão.
Somos capazes de memorizar o número da placa de veículos que já não são mais nossos e esquecemos o número de telefone de nossas mães. Preferimos cuidar do nosso carro em detrimento da nossa saúde. Enriquecemos o mecânico que executa serviços com pagamento somente à vista e exploramos o dentista com parcelamentos de pequenas obturações a perder de vista. A calibragem dos pneus é feita regular e semanalmente. O controle da pressão arterial só é feito quando estamos quase entre a vida e a morte. Deixamos o filho na escola e viramos as costas rapidamente em direção ao trabalho, mas estacionamos o auto e desembarcamos e antes de abandoná-lo damos uma olhadinha para trás para garantir que está tudo bem com ele.
Para nós, mais vale um carro cheiroso e polido do que uma roupa nova. O abastecimento de combustível só se faz em postos de muita, muita confiança enquanto o lanche da tarde pode ser em qualquer padaria da esquina. Trocar de carro é uma Via Crúcis com mais de quatorze estações. Do Pretório até o Calvário (se for financiamento) é uma Via Dolorosa que percorre concessionárias e mais concessionárias, nacionais e importadas até chegar ao modelo zero quilômetro ideal com o qual ficaremos felizes durante algumas semanas. E assim vamos, movidos pela paixão.