Cara ou coroa é um jogo simples realizado com uma moeda. Tão simples e tão antigo que não vale a pena explicar como funciona. Pretendo falar aqui sobre como estou enganando a mim mesmo. É verdade! Estou escondendo de mim coisas a meu próprio respeito e não estou ficando maluco.
Vamos aos fatos. Há alguns anos, uns trinta mais ou menos, eu era o cara. O que é ser o cara? Ser o cara pode ser o indivíduo não identificado pelo nome que normalmente é chamado de ‘o cara’, ‘aquele cara’. É o mesmo que dizer aquele sujeito ou aquele elemento. Num sentido mais atual, ‘o cara’ é o mesmo que ‘o máximo’, ‘o espetacular’, ‘o fenômeno’. Romário, jogador de futebol, se dizia ‘o cara’. O presidente americano, Barack Obama, chamou o nosso ex-presidente Lula de ‘o cara’, perceberam? Pois bem, eu também já fui ‘o cara’.
Agora estou diante de um dilema. Semana passada, num lava-jato, o ‘cara’ que lavava o meu carro me chamou de ‘coroa’. Achei estranho mas não me ofendi, pois percebi que não foi por maldade e sim por falta de outro termo mais apropriado. Seria estranho se ele, com poucos recursos de bom atendimento, me chamasse de senhor. Além do mais eu não sou coroa, ou será que sou?
Hoje à noite, fazendo minha corrida em volta do Maracanã, um adolescente com idade pra ser meu sobrinho quase me nocauteou enquanto brincava com seu companheiro (entenda-se colega). Seu amigo logo lhe repreendeu dizendo: cuidado com o ‘coroa’! Procurei, em vão, ao meu redor alguém que pudesse se encaixar melhor naquele termo. Não havia ninguém além de mim mesmo. Então o ‘coroa’ a quem ele se referia era eu mesmo. É…
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