Propina é uma palavra bonita e de
uma $onoridade gostosa ao tilintar nos cofres, não em forma de míseras moedas, mas
em generosas porções. Propinar é tão comum que às vezes não percebemos. Propinar
tem o agente ativo e o passivo. Para se tornar ativo é necessário ser passivo,
afinal, como propinar sem antes ser propinado?
Propinar é, além de tudo, um vício.
Sem cura. E o Ministério da Saúde não faz questão de advertir, pois propinar não
faz mal à saúde. Financeira!
Propinar só pode ser conjugado em
três pessoas: eu propino, ele propina, nós propinamos (não posso perder esta
chance, Executivo, Legislativo e Judiciário). Até ser descoberto, o propinador
conjuga no presente do indicativo: eu propino. Depois disso, nunca falará no futuro
do presente do indicativo: eu propinarei.
Propinar é um verbo bem
democrático. O porteiro do prédio, o gari da sua rua, o guardador de carro, o
balconista da padaria, o mensageiro da empresa, o gerente, o diretor, o
prefeito, o vereador, o deputado, o senador e até... até o presidente?! E vou
economizando plurais.
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