Termino este ano deixando como
palavra de estímulo o episódio bíblico registrado em João 5. 1 a 8.
A narrativa deste fato está no
capítulo 5 do livro de João, de onde podemos extrair algumas considerações.
Começamos a abordagem com a figura de um anjo que, segundo as Escrituras, ‘de
tempos em tempos’ descia e agitava as águas proporcionando a possibilidade de
cura ao primeiro doente ou necessitado que mergulhasse após a agitação das
águas. A primeira indagação que faço é se, de fato, havia mesmo um anjo
encarregado dessa tarefa ou isso não passa apenas de uma lenda? Se era verdade,
quando é que ele cumpria sua missão? Em que tempo ele agitava as águas do
tanque? Quantas vezes isso era feito ao longo do ano?
A Bíblia diz que a cura só era
possível ao primeiro que mergulhasse após as águas serem agitadas. A Escritura
é categórica em afirmar que apenas o primeiro a entrar no tanque conseguia ser
curado. É provável que muitos ficassem dentro do tanque de Betesda aguardando a
aparição do anjo, na expectativa de receber a cura antes dos outros. Porém o
texto diz que a oportunidade era de quem entrasse depois da ação do anjo. Entrar
nas águas fora do momento era inútil. Mergulhar antes ou depois significava
estar excluído da chance do milagre.
Em frente ao tanque havia um
alpendre onde se ajuntava uma grande multidão carente de algum tipo de milagre.
Imagino que era tanta gente que mal conseguiam se mexer. A fama do lugar atraía
pessoas de várias partes da região. Entretanto, para o apóstolo João, alguém no
meio do aglomerado humano chamou a atenção. Um paralítico. Possivelmente não
era ele o único com essa deficiência. É provável que houvessem outros, mas
aquele despertou especial interesse ao narrador. Há 38 anos o homem se
encontrava naquele estado. Outra evidência do texto deixa claro que ele era
paralítico a um bom tempo, porém não confirma que o mesmo estava naquele local
durante todo esse período. O verso 6 dá uma pista bem favorável a esta
conclusão ‘Jesus viu o homem deitado e,
sabendo que fazia todo esse tempo que ele era doente...’
Eis que ali apareceu Jesus que
viu o moribundo e sabia que o mesmo padecia a décadas. Vem do Mestre a
pergunta: Queres ficar são? Se a pergunta fosse para mim ou para você qual
seria a resposta?
Imagino o paralítico sem nome, chocado
com a pergunta. Posso imaginar a cena. O homem com o olhar congelado, os
pensamentos em agitação voltando no tempo a fim de relembrar o dia em que ficou
deficiente e agora aparece alguém, quem sabe com um colete laranja com duas
faixas prateadas e fosforescentes com a frase ‘posso ajudar? ’ fazendo
uma indagação aparentemente absurda. Deitado estava deitado permaneceu, mas com
uma vontade enorme de responder a Jesus mais ou menos assim: Não, eu não quero ficar são. Estou aqui
apenas esperando a condução que vai me levar ao aeroporto e em seguida embarco num
avião para Atenas. Vou disputar um paralimpíada na Grécia!?
Ainda refletindo, o paralítico
viajou no tempo até um futuro distante e parou no século XXI, no Brasil, e
ocorreu-lhe outra resposta sobre o desejo de ser curado e daí deve ter pensado,
“é melhor ouvir isso do que ser surdo! ”
Mas cá pra nós, paralítico e surdo seria demais, não é mesmo?
A pergunta de Jesus parece muito
óbvia, entretanto há doentes que não querem ser curados, assim como há
pecadores que não querem deixar o pecado. O homem paralítico não respondeu à
pergunta de Jesus. Também não aplicou o tradicional ‘por quê? ‘ (separado e com
acento). Todavia fez questão de narrar o motivo de ainda não ter sido curado,
apresentando a dificuldade de chegar até a beirada do tanque como empecilho ao
acontecimento do milagre em sua vida. Percebe que o paralítico não entendeu a
pergunta? Jesus não perguntou qual o esforço aquele homem estava fazendo para
se libertar do cativeiro. O que o Mestre estava dizendo era: Seus problemas
acabaram. Hoje é seu dia. Esqueça o anjo, não olhe o tanque e nem espere ajuda
de ninguém. EU SOU A CURA!
Finalizo com esta mensagem de
esperança para você, leitor. Não importa sua dificuldade ou problema. Jesus é a
solução. Levante-se, pegue a sua cama e ande! (João 5. 8).
Deus te abençoe.